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Um Universo chamado Namíbia!

Escrito por Adriana Bittar para a revista The Traveller. Fotos Alexandre Suplicy

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Conheça esse País incrível, do sudoeste da África. Paisagens de tirar o fôlego, cores exuberantes e misteriosas culturas. Acredite: você se apaixonar.

Fizemos esta viagem em Março de 2014.

Um só lugar e muitos cenários. Savana, deserto, dunas avermelhadas e o litoral banhado pelo oceano atlântico… um país de texturas vibrantes e cenário exótico de norte a sul.

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Dizem que este é o lugar perfeito para os “iniciantes” em africa, já que o país é um dos mais seguros do continente, boa parte da população fala inglês e as estradas são ótimas, até mesmo as de terra!

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E é exatamente quando você põe o pé na estrada que começa a se convencer de que escolheu um destino realmente especial. Já havíamos viajado por boa parte do continente quando decidimos finalmente conhecer a república da Namíbia, que faz fronteira com Angola, Zambia, Botswana e Africa do Sul.

Saímos de São Paulo com destino a Joanesburgo. De lá pegamos um vôo para  windhoek.  A capital e maior cidade do país exibe orgulhosa suas raizes alemãs, seja na arquitetura, na culinária ou na organização e infra-estrutura.

Locamos uma Toyota Hilux preparada para safári, ela vem com tanque duplo (1.100km de autonomia), barraca no teto, geladeira 12v., duas baterias, todos equipamentos de cozinha, sleeping bag, colchão e em caso de algum problema eles trocam o carro na hora.

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Teríamos doze dias para desbravar aquele universo à parte.

Nosso primeiro destino: o deserto de sossusvlei, o mais antigo do mundo e a atração mais espetacular da namíbia.

Para isso ficamos no Sossus Oasis Camp Site, muito bom e lá o céu é inacreditável, esse camping é bom pois fica bem proxímo ao deserto, então da para acordar cedo e ser um dos primeiros a chegar.

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É como se no meio do caminho você se deparasse com uma pintura de um grande artista.

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A imensidão do deserto é arrebatadora. Cores e contrastes que tornam a caminhada pelas dunas um convite irrecusável, apesar do calor.

Por isso é bom chegar cedo para driblar o sol forte e o clima árido de sossusvlei. Ah… e não se esqueça de levar uma garrafa d’água das grandes. Você irá precisar!

Há opções de dunas para todos os níveis de disposição! As mais “suaves” são a duna 45 e a big mamma. Nós fomos direto para a mais desafiadora, a big daddy. Ela é famosa por estar entre as mais altas do mundo, com 350 metros. Mas o que tira o fôlego de verdade é a vista privilegiada que se tem ao chegar ao topo. Saber que você deixou suas pegadas naquela areia fofa e vermelha do deserto é uma sensação única.

Outra atração imperdível de sossusvlei e que rende grandes fotos é o deadvlei. A tradução do nome assusta: vale da morte. Mas não se deixe enganar. Esse lugar já foi um oásis. Com a mudança climática a paisagem mudou completamente. Restaram o solo seco e os esqueletos de acácias. Os galhos pretos, queimados pelo sol, dão um toque surreal ao cenário.

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Do deserto seguimos para a costa. São menos de quatrocentos quilômetros de distância, mas  parece que chegamos em outro país. Walvis bay, ou baía das baleias, é o destino mais procurado na faixa litorânea e uma cidade portuária importante para a Namíbia.

Do outro lado da baía, o farol de 35 metros de altura chama a atenção. Batizado de ponto dos pelicanos, ele foi construído na década de 30 e recentemente ganhou um vizinho nobre, o lodge de luxo com o mesmo nome.

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Walvis bay me encantou logo de cara. É que os pelicanos “passeiam” à vontade pela orla. No centrinho de lojas, e restaurantes eles  ficam bem no meio dos turistas. Nem se importam com o vem e vai dos seres humanos. Chegar perto dessas aves enormes e desengonçadas é irresistível.

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De lá saem barcos para observar baleias, golfinhos e flamingos. Fizemos um desses tours e nos divertimos muito. Os pelicanos pousam no barco de repente e, sem cerimônias, fazem graça com os turistas. Mas as grandes estrelas do passeio são as focas que saem de dentro do mar e pulam no barco. Elas parecem ter intimidade com os tripulantes. E em troca de um peixe até posam pra foto. Meu marido acabou ficando cara a cara com uma delas.

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Caso você não tenha tanta sorte, não tem problema. Pertinho dali, em Cabo Cruz, fica um santuário de focas, o Cape Cross Seal Reserve, uma área protegida.

A visão é impressionante. Parece um mar de focas. Mais de cem mil delas. A colônia cresceu assim graças à concentração de peixes trazida pela corrente marítima da região. E vale a dica: leve um lenço ou bandana para cobrir o nariz porque focas não são os seres mais perfumados do planeta.

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Saímos de Cape Cross em direção ao noroeste do país, no caminho ficamos em um camping maravilhoso, o Mowani Mountain Camp, cada carro fica bem distante do outro em um espaço onde tem um banheiro completo encrustado no meio das pedras.

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De lá fomos para Epupa Falls, na fronteira com Angola, um lugar mágico, onde a Natureza te abraça…

Ficamos em um camping na margem do rio, onde era possível ver o véu de água que ela levantava.

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E na Namíbia a paisagem natural não é a única coisa que chama a atenção. A cultura Himba é fascinante. Essa tribo semi-nômade vive entre Namíbia e Angola. Eles são um povo exótico e intrigante.

Movidos pela curiosidade pedimos a um guia que nos levasse a uma tribo Himba. Depois de alguma negociação, conseguimos entrar e conhecer um pouco mais sobre eles.

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O guia nos explicou que as mulheres da tribo tem essa cor avermelhada porque usam uma mistura de manteiga, gordura e ocre no corpo e nos cabelos. Essa pasta é chamada “otjize” e é aplicada em praticamente todo o corpo, até nas tranças. Apenas as pontas dos cabelos ficam soltas. A técnica dos himba serve como protetor solar e repelente naturais.

Para eles a cor vermelha representa a vida, já que remete à terra e ao sangue. Uma simbologia respeitada até os dias de hoje.

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O guia nos ajudou na comunicação. Uma das mulheres queria saber sobre o meu colar, artesanato himba que eu havia comprado na estrada.

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Um fato super curioso é que, segundo a tradição, as mulheres Himba são proibidas de tomar banho. Dá pra acreditar? Para se limpar elas defumam ervas e espalham essa fumaça por todas as partes do corpo. Eu fiquei bem pertinho delas e garanto: o “banho” himba funciona!

Foi nessa tribo que tiramos uma das fotos mais famosas de nossas viagens pelo mundo. As crianças ficaram impressionadas com a máquina fotográfica. Meu marido sentou no chão com os pequenos e começou a mostrar as imagens no visor. Eu sempre registro os bastidores e acabei flagrando esse momento único. Olha só a carinha de curiosidade dos meninos Himba.

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Demos adeus à tribo e seguimos para a ultima etapa da nossa aventura: o  Etosha National Park. Hora de encarar os animais selvagens!

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O parque nacional tem cinco mil quilômetros quadrados.  Aqui é possível observar mais de 300 espécies de aves e cerca de 114 espécies de mamíferos, entre eles elefantes, leões, zebras, rinocerontes, impalas, leopardos e guepardos.

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Em um dos safáris que fizemos demos a maior sorte. Um rinoceronte cruzou a estrada e parou na nossa frente. Arrebatados com a surpresa, nós mal respirávamos para não fazer barulho. E ficamos ali, durante pelo menos uma hora admirando esse animal tão imponente e ameaçado de extinção.

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No Etosha ficamos hospedados no Dolomite Camp. Um lodge luxuoso no meio da savana. Sair do quarto? Só com a presença de um funcionário do hotel.

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Depois de tantos dias e experiências incríveis, se despedir da Namíbia chega a apertar o coração. Deixamos esse Universo em forma de País para trás. Mas levamos na mala lindas fotos, memórias inesquecíveis e a certeza de que vale a pena voltar.

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